
A histerectomia pode retirar só o útero ou também o colo e os ovários; o risco de câncer de mama depende principalmente da idade, da genética e da exposição aos hormônios
Quem fez histerectomia pode ter câncer de mama, mas a cirurgia, por si só, não define a chance de ter a doença. Uma revisão publicada na Frontiers in Oncology analisou estudos que acompanharam mulheres após a retirada do útero e não encontrou aumento do risco.
A histerectomia pode retirar só o útero ou também os ovários. Quando eles são preservados, a produção de estrogênio e progesterona continua. Porém, quando também são removidos, os hormônios podem diminuir e levar à menopausa antes do esperado.
Nesse sentido, uma revisão publicada no American Journal of Obstetrics and Gynecology apontou menor risco de câncer de mama depois da retirada dos dois ovários em mulheres jovens, mas isso também depende de outros fatores, como idade e histórico familiar.
Para quem busca uma consulta para avaliar o risco de câncer de mama em Campinas, o Hospital Madre Theodora oferece atendimento especializado, estrutura para exames e uma equipe com profissionais de diferentes áreas.
Ele está localizado na Rua José Geraldo Cerebino Christófaro, 175 - Parque das Universidades, Campinas - São Paulo.
- Marque a consulta pelo portal de agendamento
- Marque a consulta pelo WhatsApp
- Para mais informações acesse o fale conosco
Qual a relação da retirada do útero com as mamas?
A histerectomia é a cirurgia para retirar o útero, órgão que participa da gestação e da menstruação. As mamas não fazem parte do aparelho reprodutor interno e funcionam após o procedimento. Por isso, a cirurgia não impede o surgimento de tumores mamários.
Uma revisão publicada na Frontiers in Oncology analisou pesquisas sobre a relação entre histerectomia e câncer de mama. Os autores não encontraram aumento do risco depois da retirada do útero, mas isso não significa que o procedimento proteja contra a doença.
O câncer de mama está relacionado a fatores como idade, histórico familiar, alterações genéticas e exposição a hormônios, e a retirada do útero não elimina esses fatores. Sendo assim, a mulher deve seguir as orientações médicas para prevenir e rastrear a condição.
Como a preservação do ovário afeta os hormônios?
Durante a histerectomia, os médicos avaliam se os ovários devem ser mantidos ou retirados. A decisão depende da idade, da saúde da mulher e do motivo da cirurgia. Quando são preservados, continuam produzindo hormônios mesmo sem o útero.
O estrogênio produzido pelos ovários também atua nas mamas antes da menopausa. Por isso, a cirurgia não interrompe a produção desse hormônio quando eles são mantidos. A mulher deixa de menstruar, mas isso não significa que entrou na menopausa.
Quando os dois ovários são retirados, a produção dos hormônios ovarianos cai. Se a mulher não passou pela menopausa, isso provoca a menopausa cirúrgica. Mesmo assim, o risco de câncer de mama não desaparece e o acompanhamento ainda é importante.
Por que a mamografia é obrigatória após a cirurgia?
A mamografia permite identificar alterações nas mamas, como nódulos e calcificações, antes que sejam percebidas pelo toque. O exame usa raios X para produzir imagens do tecido mamário, que ajudam a identificar sinais que podem estar relacionados ao câncer.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda programas de rastreamento do câncer de mama, e a histerectomia não muda essas recomendações por si só. Nesse sentido, a frequência da mamografia continua a depender da faixa etária e dos fatores de risco:
Antes dos 40 anos
A mamografia de rastreamento não faz parte da rotina para mulheres de risco habitual, mas casos de maior risco podem pedir um acompanhamento diferente.
Dos 40 aos 49 anos
A mamografia pode ser feita depois da avaliação médica, considerando os benefícios e os possíveis riscos do rastreamento nessa idade.
Dos 50 aos 74 anos
No Brasil, a partir de 2025, o Ministério da Saúde recomenda a realização da mamografia de rastreamento a cada dois anos, sempre com orientação profissional.
Depois dos 74 anos
A mamografia pode ser considerada depois da avaliação médica e da decisão compartilhada com o profissional de saúde.
A interrupção dos exames preventivos depois da histerectomia pode atrasar a identificação de alterações nas mamas. Assim, a mamografia deve fazer parte dos cuidados de saúde conforme a orientação médica, que pode variar entre as mulheres.
Quais as recomendações para prevenir tumores?
A prevenção do câncer de mama envolve cuidados com fatores de risco que podem ser modificados. Por isso, mulheres que passaram pela retirada do útero podem adotar hábitos que ajudam a proteger a saúde das mamas, como:
- praticar exercícios físicos, já que a atividade física regular contribui para a saúde geral do organismo;
- manter um peso saudável, pois esse controle ajuda a equilibrar os níveis de estrogênio no corpo;
- limitar o consumo de álcool, uma vez que está associado ao aumento do risco de câncer de mama, mesmo em pequenas quantidades;
- conhecer o próprio corpo, observando as mamas para perceber mudanças na aparência ou no toque, mas isso não substitui a mamografia nem outros exames.
Mulheres que passaram por histerectomia por causas benignas, como miomas, podem considerar a reposição hormonal, mas essa decisão depende de uma avaliação individual feita, na maioria dos casos, por ginecologistas e mastologistas.
Quando procurar um especialista?
A consulta de rotina com o especialista deve acontecer conforme a orientação. Alterações nas mamas exigem avaliação, como nódulo endurecido e fixo, secreção ou sangue nos mamilos, retração do mamilo ou vermelhidão, assim como dores e mudanças na pele.
A histerectomia pode tratar vários problemas do útero, mas não elimina os cuidados com as mamas. O acompanhamento médico ajuda a tirar dúvidas e definir a rotina de prevenção, que considera a idade, o histórico e os fatores de risco de cada paciente.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
Bibliografia
AMERICAN CANCER SOCIETY. Breast cancer risk factors. Disponível em: https://www.cancer.org/cancer/types/breast-cancer/risk-and-prevention/breast-cancer-risk-factors-you-cannot-change.html. Acesso em: 21 ago. 2026.
AMERICAN CANCER SOCIETY. Breast cancer risk factors you can change. Disponível em: https://www.cancer.org/cancer/types/breast-cancer/risk-and-prevention/lifestyle-related-breast-cancer-risk-factors.html. Acesso em: 21 ago. 2026.
AMERICAN COLLEGE OF OBSTETRICIANS & GYNECOLOGISTS (ACOG). Hysterectomy. Disponível em: https://www.acog.org/womens-health/faqs/hysterectomy. Acesso em: 21 ago. 2026.
BRASIL. Ministério da Saúde. Câncer de mama. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/cancer-de-mama/cancer-de-mama/. Acesso em: 21 ago. 2026.
CENTERS DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Breast cancer risk factors. Disponível em: https://www.cdc.gov/breast-cancer/risk-factors/index.html. Acesso em: 21 ago. 2026.
CENTERS DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Reducing risk for breast cancer. Disponível em: https://www.cdc.gov/breast-cancer/prevention/index.html. Acesso em: 21 ago. 2026.
CENTERS DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Screening for breast cancer. Disponível em: https://www.cdc.gov/breast-cancer/screening/index.html. Acesso em: 21 ago. 2026.
CHOW, S. et al. Breast cancer risk after hysterectomy with and without salpingo-oophorectomy for benign indications. Am J Obstet Gynecol. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32585221/. Acesso em: 21 ago. 2026.
FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGISTA E OBSTETRÍCIA (FEBRASGO). Saúde recomenda mamografia a partir dos 40 anos. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/noticia/ministerio-da-saude-recomenda-mamografia-a-partir-dos-40-anos/. Acesso em: 21 ago. 2026.
HASSAN, H. et al. Long-term outcomes of hysterectomy with bilateral salpingo-oophorectomy: a systematic review and meta-analysis. Am J Obstet Gynecol. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37364803/. Acesso em: 21 ago. 2026.
HOSPITAL MADRE THEODORA. Oncologia. Disponível em: https://www.hospitalmadretheodora.com.br/centro-referencia/oncologia-ref/index.html. Acesso em: 21 ago. 2026.
INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Detecção precoce. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/gestor-e-profissional-de-saude/controle-do-cancer-de-mama/acoes/deteccao-precoce. Acesso em: 21 ago. 2026.
INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Fatores de risco. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/gestor-e-profissional-de-saude/controle-do-cancer-de-mama/fatores-de-risco. Acesso em: 21 ago. 2026.
INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Ministério da Saúde padroniza informações para acesso ao exame de mamografia no SUS. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/noticias/2025/ministerio-da-saude-padroniza-informacoes-para-acesso-ao-exame-de-mamografia-no-sus. Acesso em: 21 ago. 2026.
INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Sinais e sintomas. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/tipos/mama/versao-para-profissionais-de-saude/sinais-e-sintomas. Acesso em: 21 ago. 2026.
LIU, W. et al. Association between hysterectomy for benign indications and the risk of breast cancer: a systematic review and meta- analysis. Frontiers in Oncology. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41357576/. Acesso em: 21 ago. 2026.
LOVETT, S. M. et al. Hysterectomy, bilateral oophorectomy, and breast cancer risk in a racially diverse prospective cohort study. Journal of the National Cancer Institute. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10248837/. Acesso em: 21 ago. 2026.
NICHOLS, H. B. et al. Bilateral oophorectomy in relation to risk of postmenopausal breast cancer: confounding by nonmalignant indications for surgery?. American Journal of Epidemiology. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC3105288/. Acesso em: 21 ago. 2026.
ROSWELL PARK. Can a hysterectomy prevent cancer?. Disponível em: https://www.roswellpark.org/cancertalk/202009/can-hysterectomy-prevent-cancer. Acesso em: 21 ago. 2026.
WILSON, L. F. et al. Hysterectomy and risk of breast, colorectal, thyroid, and kidney cancer - an Australian data linkage study. Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention. Disponível em: https://doi.org/10.1158/1055-9965.EPI-20-1670. Acesso em: 21 ago. 2026.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Breast cancer. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/breast-cancer. Acesso em: 21 ago. 2026.