
Aquele desconforto na boca do estômago, muitas vezes confundido com má digestão, pode mascarar uma emergência cardíaca.
Começa com uma queimação incômoda na "boca do estômago" após uma refeição mais pesada. A primeira reação de muitas pessoas é atribuir o sintoma a uma simples gastrite ou refluxo, buscando alívio em um antiácido. No entanto, essa dor pode ser o único sinal de um infarto agudo do miocárdio, especialmente porque sintomas gastrointestinais são manifestações atípicas comuns.
Esses sinais, muitas vezes parecidos com má digestão ou queimação, podem mimetizar problemas digestivos e, consequentemente, atrasar o diagnóstico e o tratamento adequado para o coração.
Por que uma dor de estômago pode indicar um infarto?
A confusão entre os sintomas ocorre por uma questão de anatomia. O coração e o estômago são órgãos muito próximos, localizados na parte superior do abdômen e no tórax. A parede inferior do músculo cardíaco, especificamente, fica apoiada sobre o diafragma, muito perto do estômago.
Quando um infarto atinge essa parede inferior, os nervos que transmitem os sinais de dor ao cérebro podem gerar uma sensação de desconforto na região epigástrica (a "boca do estômago"). Assim, o cérebro interpreta o sinal de perigo vindo do coração como um problema digestivo, o que representa uma armadilha diagnóstica, já que esses sintomas gastrointestinais são manifestações atípicas comuns.
Como diferenciar a dor de estômago comum de um sintoma de infarto?
Embora apenas exames médicos, como o eletrocardiograma, possam confirmar o diagnóstico, algumas características da dor ajudam a fazer a distinção inicial. É importante ressaltar que, em situações de dor súbita no estômago, o infarto pode estar presente mesmo que exames iniciais de eletrocardiograma e sangue não apontem alterações. Por isso, é importante observar não apenas a dor em si, mas o contexto e os sintomas associados a ela.
A dor gástrica geralmente se manifesta como queimação, azia, pontada ou ardência, piorando após as refeições, especialmente quando há consumo de alimentos gordurosos, ao deitar ou após longos períodos em jejum. Em muitos casos, há melhora com o uso de antiácidos, ao arrotar ou ao mudar de posição, como ficar sentado ou em pé. Costuma ficar concentrada na região da "boca do estômago", podendo subir para o peito em forma de queimação.
Já a dor de origem cardíaca costuma ser descrita como uma sensação de aperto, pressão, peso ou até mesmo um desconforto semelhante a um "estômago cheio" que não passa. Ela pode surgir tanto em repouso quanto durante esforço físico ou estresse emocional, sem relação evidente com a alimentação. Diferentemente da dor gástrica, não costuma melhorar com antiácidos ou mudanças de posição e pode persistir por mais de 20 minutos.
Quais são os outros sinais de alerta que acompanham a dor?
Um infarto raramente se manifesta apenas com a dor epigástrica. A ocorrência de outros sintomas sistêmicos é um indicativo importante. Por exemplo, uma dor súbita na "boca do estômago" acompanhada de náuseas, vômitos e mal-estar pode ser um sinal oculto de infarto, indicando uma emergência cardiológica grave que exige socorro imediato.
Considere procurar um pronto-socorro imediatamente se a dor no estômago vier acompanhada de um ou mais dos seguintes sinais:
- Suor frio e repentino: uma sudorese intensa e fria, sem relação com o calor ou atividade física.
- Náuseas e vômitos: enjoo forte e ânsia de vômito que surgem de forma abrupta.
- Falta de ar ou dificuldade para respirar: uma sensação de cansaço súbito ou incapacidade de encher os pulmões de ar.
- Tontura, fraqueza ou desmaio: mal-estar geral, palidez e sensação de que vai desmaiar.
- Ansiedade e sensação de morte iminente: um sentimento agudo e inexplicável de angústia ou de que algo muito ruim está acontecendo.
Quem tem maior risco de apresentar sintomas atípicos de infarto?
A clássica dor no peito que irradia para o braço esquerdo não é universal. Alguns grupos populacionais são mais propensos a manifestar o infarto com sintomas atípicos, como a dor de estômago, e devem ter atenção redobrada.
Sintomas de infarto em mulheres
Em mulheres, os sinais de um ataque cardíaco podem ser mais sutis. Além da dor abdominal, é comum relatarem cansaço extremo e inexplicável, dor nas costas, no pescoço ou na mandíbula, e falta de ar, muitas vezes dias ou semanas antes do evento agudo.
Sintomas em idosos e pessoas com diabetes
Idosos e portadores de diabetes podem ter a sensibilidade à dor alterada (neuropatia diabética). Por isso, o infarto pode ocorrer com poucos sinais ou se manifestar apenas como um mal-estar súbito, confusão mental, fraqueza intensa ou a própria dor no estômago, sem a característica dor no peito.
O que fazer na suspeita de um infarto?
Na dúvida, o princípio da precaução deve prevalecer. O tempo é um fator crítico no tratamento do infarto; quanto mais rápido o atendimento, menores os danos ao coração. Se você ou alguém próximo apresentar dor de estômago associada a outros sinais de alerta:
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Ligue imediatamente para o serviço de emergência (SAMU - 192). Informe os sintomas de forma clara e siga as orientações.
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Não vá dirigindo ao hospital. A ambulância é equipada para prestar os primeiros socorros e monitorar o paciente no trajeto.
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Afrouxe roupas apertadas para facilitar a respiração.
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Mantenha a calma e tente deixar a pessoa o mais confortável e tranquila possível enquanto aguarda o socorro.
Ignorar os sinais ou esperar para ver "se a dor passa" pode ter consequências graves. Uma dor de estômago pode ser apenas uma indigestão, mas quando o contexto sugere algo mais, agir rapidamente salva vidas.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
Bibliografia
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